
- Alice, compre seus sonhos e espere que o coelho te engula em suas mais profundas alucinações.
Perdida por entre as flores e o sol apagado, Alice deita e sonha nos braços de um louco; dono dos chás malucos de tardes perdidas. Ela como uma boneca, espera a indicação do caminho certo enquanto um gato sorri e diz que não é preciso direções. É necessário correr.
Nesse conto encantado de perdição desvairada, Alice espera o tempo passar em sua insegurança, segura sua confidência nos sussuros alcinados do homem de seus sonhos; ela quer ser mulher.
-Criança, queria ser o cheiro dos seus cabelos de seda e daçar por entre o veludo de seu vestido. Dê-me tua mão.
Alice, de olhos fechados, caminha para um passo sem fim e sem volta, ma menina sem amor. Os olhos cor de céu se perdem no azul da noite e assim seu corpo se vai, fundido nos abraços de um chapeleiro morto.
O toque com gosto de melância e cereja vão se transformandoem licor por sua pele, saboreando cada medida do corpo de menina. Os fios de seda caem, Alice já não tem mais nome. Em seu corpo de fruta madura, Ele delira, já não se sabe mais o que é sangue e o que é poesia.
Alice se perde na cartola, delira no chá de pêssego quente. Seus olhos esboçam as estrelas de uma noite nublada. Já não há mais sonho.
Alice esta morta.