24 de março de 2011

Véspera outra vez

Ontem estava conversando com uma amiga minha sobre a problemática do aniversário....
As pessoas costumam falar da importância das idades com a frase:"Você só faz (tantos anos) uma vez na vida!".
Bem que é só uma vez na vida é fato.
As outras idades também, não é?
Pelo que eu me lembre não fiz 1 ou 2 ou 3 anos mais de uma vez.

Porém amanhã será duas vezes dez, 2 x 10.
Ah como a véspera é sempre longa.
Revejo o que escrevi em cada véspera da minha vida.
Refaço todo um caminho de vida, lembro de épocas e momentos.

20 anos.
- 20 anos de Lia.
Ainda me mantenho achando um mistério essa tal Lia que parece que a cada ano que passa fica cada vez mais incompreensível.

Hoje é a véspera de mais um degrau escalado.
Pra sempre na memória

Hoje é meu último dia nas DEZenas
dizer que acredito que este é um momento importantíssimo.
a dez anos começei a tecer meus caminhos, fazer minhas escolhas
dez anos antes disso começou minha vida.

desde aquele dia, 25 de Março de 1991, às 20h59min, 19 anos, 11 meses e 29 dias se passaram.

Falando assim a gente entende a grandiosidade disso tudo.
As dimensões.

Hoje é a véspera.
Amanhã é nunca mais.

16 de março de 2011

Fricções

Meus dias andam passando com uma notoriedade incrivel....
Preencho cada brecha existente de música e tento não esquecer de minhas origens
Tento lembrar de todos os meus nomes, cores, todos meus sons, meus sabores, meus cheiros. Tento lembrar de tudo aquilo que pertence somente a mim.
Esqueço, ou pelo menos tento esquecer, tudo aquilo que estabeleceram pra mim.
Já perceberam que às vezes alguns pensamentos que passam na sua cabeça não são seus, mas sim de pessoas que exercem em sua mente relevância inexplicavel.

Eu só posso ser eu mesma, mas pra tanto já existem tantas possibilidades....pra que perder seu tempo tentando ser outra pessoa?
Já não é fácil ser si mesmo, já não é fácil recriar-se, reinventar-se - somos párias dentro de nós mesmos.

A simplicidade das coisas se perde com uma facilidade mágica.
Tento, suplicantemente, viver de acordo com minhas próprias regras. Tento não me enganar - nunca disse nada sobre enganar os outros. -

Acredito que somos todos sobreviventes nessa grande maré.
Sobreviventes por que não é fácil ir na outra direção.
Por que cansa nadar tanto assim.
Sobreviventes por que a maré é tão atraente...
Por que ela permite que nosso corpo só vá, sem peso nem diferença...
Somos sobreviventes de nossos próprios corpos e vontades.

Sobrevivo, batalhando comigo mesma e tentando esculpir um corpo próximo à minha mente.

3 de março de 2011

Incertezas das 3 da manhã

Acho que as pessoas dizem - ou pensam - que o ideal é escrever quando se tem algo para dizer ou mesmo...escrever. Não sei bem se concordo.
Neste momento estou numa madrugada de quinta-feira, 3 de Março, tenho certeza abas vezes absoluta de que não tenho nada a dizer, mas isso não me desqualifica para escrever boas linhas. Escrevo, muitas vezes, quando tenho nada a dizer, quando quero ficar quieta ou simplesmente quando quero passar o lápis no papel ou ouvir os intermináveis "tec tec tec tec" que acabam me tranquilizando.

É mais fácil escrever quando sabemos, por que senão fica complicado e maçante, cada palavra demora uma eternidade. Isso acontece por que ficamos presos na obrigação de "querer dizer algo", quando muitas vezes não é bem isso.
Deviamos levar a escrita como deviamos levar nossos relacionamentos: um dia por vez.
Calmamente.
escrever uma linha por vez, deixar que as palavras liguem e o pensamento não existente se forme, num passe de mágica.
Se pudessemos levar as coisas assim, tranqüilamente, sem "querer dizer" nada, as coisas simplesmente aconteceriam, numa forma natural. Despojada.

Sei que posso não estar fazendo sentido algum, porém essa não é a questão.
Às vezes fico a me perguntar se temos sempre que fazer sentindo? Se temos que ter sempre certeza das coisas?
Eu não tenho certeza de mais nada e nem faço questão de ter, claro que a certeza nos dá uma segurança.....porém não é uma certeza real, as coisas a acontecer de formas não premeditáveis. Possuímos só certezas temporárias e muitas vezes quando elas se vão nos decepcionamos.
Talvez seja melhor não tê-las e não se decepcionar, somente viver as coisas, sem esperar por nada.

Só desejar.

É só uma questão de ponto de vista ou de partida.

1 de março de 2011

Sem direções ou vetores

Trilhamos caminhos que nem sempre são aqueles que escrevemos para nós mesmos.
Nossos caminhos nunca estão escritos, nem sinalizados e, principalmente, não há limite de velocidade.

Estabelecemos planos, metas, desejos, vontades. Combinamos coisas, prometemos outras. Cria-se expectativa, mas não há prazo de validade.

Não pode haver pressão, nem vsita grossa, nem desconfiança - o caminho desaba, apaga, fecha.

Meus caminhos cuido eu, como vou andar por eles, se será caminhada, coopper ou passeio - gosto de passear.
O bom de andar devagar é poder apreciar a paisagem em volta, se ater aos detalhes, conhecer o solo em que se pisa, criar certeza de sua direção. Mas não é correr.

Correr solta os cabelos, cria vento no rosto, no corpo, na barriga, na alma. Um friozinho, uma incerteza de onde se pisa, se irá tropeçar. Correr liberta.

Acho que o ideal é saber balancear os dois, andar quando se quer andar e correr quando se quer correr e não é errado parar para descançar, tomar o ar, respirar 1, 2, 3, quantas vezes achar necessário, replanejar a rota, ver se seus pés não estão em seu limite, se os seus músculos não irão estorar.

É importante saber seu próprio limite, respeitar suas limitações, estendê-las conforme o possível, mas nunca abusar.
De que vale terminar um caminho sem nem ter entendido por que raios ele foi andado? De que vale andar sem saber onde anda?

Devemos fechar os olhos e imaginar esse caminho sem fim, limite ou lincença de nossa vida. Imaginá-lo, colori-lo, produzir personagens que possam estar em sua paisagem, toda a paisagem. Imaginar o ar que irá respirar, a cor do vento, o som do rio....se terá rios.
Devemos fechar os olhos e tomar nosso tempo.

Se por ventura alguém vier lhe apreçar sempre diga:
"Agora não, estou vendo para onde vou."