1 de março de 2011

Sem direções ou vetores

Trilhamos caminhos que nem sempre são aqueles que escrevemos para nós mesmos.
Nossos caminhos nunca estão escritos, nem sinalizados e, principalmente, não há limite de velocidade.

Estabelecemos planos, metas, desejos, vontades. Combinamos coisas, prometemos outras. Cria-se expectativa, mas não há prazo de validade.

Não pode haver pressão, nem vsita grossa, nem desconfiança - o caminho desaba, apaga, fecha.

Meus caminhos cuido eu, como vou andar por eles, se será caminhada, coopper ou passeio - gosto de passear.
O bom de andar devagar é poder apreciar a paisagem em volta, se ater aos detalhes, conhecer o solo em que se pisa, criar certeza de sua direção. Mas não é correr.

Correr solta os cabelos, cria vento no rosto, no corpo, na barriga, na alma. Um friozinho, uma incerteza de onde se pisa, se irá tropeçar. Correr liberta.

Acho que o ideal é saber balancear os dois, andar quando se quer andar e correr quando se quer correr e não é errado parar para descançar, tomar o ar, respirar 1, 2, 3, quantas vezes achar necessário, replanejar a rota, ver se seus pés não estão em seu limite, se os seus músculos não irão estorar.

É importante saber seu próprio limite, respeitar suas limitações, estendê-las conforme o possível, mas nunca abusar.
De que vale terminar um caminho sem nem ter entendido por que raios ele foi andado? De que vale andar sem saber onde anda?

Devemos fechar os olhos e imaginar esse caminho sem fim, limite ou lincença de nossa vida. Imaginá-lo, colori-lo, produzir personagens que possam estar em sua paisagem, toda a paisagem. Imaginar o ar que irá respirar, a cor do vento, o som do rio....se terá rios.
Devemos fechar os olhos e tomar nosso tempo.

Se por ventura alguém vier lhe apreçar sempre diga:
"Agora não, estou vendo para onde vou."

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