16 de outubro de 2009

On going

Eu odeio a tecnologia, acho um absurdo não podermos controlar nada dentro de um computador. Hoje é um daqueles dias que você quer deitar na sua cama, lutando contra o calor infernal, fumar um cigarro e assistir a um filme gostoso durante a noite. Sempre achamos que as coisas estão indo muito bem, que tudo está certo até que PUM! seu computador te informa que você não pode assistir DVD de tal área e que você só tem números limitados de chances pra trocar de região e que depois, nunca mais. Como assim? Quando era VHS, nunca houve esse problema, sempre deu para assistir ao que você queria, o único problema a se lidar era se não ia engolir a fita ou coisa do gênero. Isso é ridículo. Resultado: ouvindo música de novo e escrevendo. Bem que eu tento variar um pouco.

Toda essa besteira é para tentar driblar a solidão, pensar em outras coisas, viajar em outras cores. Vocês sabem como é. Cada vez mais dói estar sozinho demais, existem momentos em que a solidão é nossa melhor amiga, outros em que ela pode nos matar. Fico tentando decifrar os enigmas do mundo e no fim só tenho mais um fio de cabelo branco. Só. Sob a trilha sonora clássica de Pink Floyd me perco nas infinitas horas da vida e tento sair de meu corpo a voar; quero ser céu e mar. Já foi mais fácil ser mulher, ser mulher Lia. Entrar nas contradições da antiga Lia com a atual, como contraponto, é cotidiano. Quanto tempo demora para ser borboleta? Quanto tempo devemos esperar para que saiamos de nossos casulos para ver a luz do dia? Será que realmente saberemos distinguir essa luz?

Acho incrível reparar no imenso tamanho de minha indecisão. Paro e penso em tantas decisões não feitas, frases não ditas, sorrisos perdidos, tudo por conta de falsas escolhas, por causa de medo, insegurança, outras opções. O amor nos traz medo.

Não sou mais a mesma menina ou mulher ou garota ou ser que pensava e decidia tão facilmente, as coisas hoje em dia parecem pesar mais, ser mais sentidas, mais verdadeiras. Não sei como cheguei nesse momento de minha vida, mas juro que às vezes queria voltar ao passado, ver o que aconteceu para ficar assim e evitar que acontecesse, mesmo que significasse cortar minhas asas. Asas que cultivo, cuido, lavo e penteio todos os dias, todas as horas, todos os segundos, é bem capaz que eu acabe dando nome a elas e que faça de sua presença minha conversa constante. Não é mais fácil viver, já soube mais como seguir, como pensar e o que falar, hoje em dia tudo é uma virgula, uma reticências, um suspiro lançado ao ar.

Agora não mais tenho a trilha sonora tão amada, mas sim gritos apaixonados por um jogo de futebol, um jogo de poder e cultura. É tão bom quanto, essa excitação toda, esse fervor que nos faz sentir vivos. Juro à você que não queria tirar as poeiras debaixo de meu tapete, prefiro deixá-las lá, intocáveis, imperceptíveis, insensíveis à minha razão e olhar. Quero poder deitar e dormir no embalo das boas lembranças, do futuro incerto, não agüento mais os caroços debaixo de meu colchão. É incrível, as coisas passaram a me afetar mais, coisas tão pouco importantes, tão pequenas, passaram a ser maiores do que as que realmente valem a pena, será que perdi meu foco?

Antes eu queria ser Alice, ser chapeleiro, ser conto de fadas, hoje em dia tais sonhos se encontram aposentados no fundo das gavetas, gritando por socorro e por liberdade, assim como acho que meu coração também grita. Sou escandalosa. Me tornei rainha de copas que espera a rebelião de seus soldados, que espera o gato aparecer com a solução mágica de cortar a cabeça e esquecer a razão, perder a memória, ser só corpo no espaço infinito.

Pareço louca? Estarei assim perdida, acabada, desesperada? Não sei mais dizer se é preto ou branco, se é amor ou ódio, tristeza ou felicidade. Algumas palavras se perderam e não conseguem mais se encaixar no vão de minha vida, tem certas coisas que não fazem mais sentido algum. É estranho estar longe, sentir saudade e mudar de mundo, saber que podemos nos apoiar onde quer que estejamos desde que tenhamos a nós mesmos, desde que me mantenha sincera estarei bem acompanhada para qualquer canto que eu vá. Continuo me apaixonando por cada surpresa, pelo inevitável, pela vida; quando me pego olhando para qualquer-lugar-e-lugar-nenhum me maravilho, me transformo, as asas tão pequenas de borboleta saem de minha cabeça e parecem ser asa de fada, de animal mitológico, sinto que posso voar para bem longe e pro nunca mais. Preciso que alguém me segure, amarrem uma corda aos meus pés para que não possa desviar para lugar nenhum, “extraviar”, como uma carta mal escrita. Sou pedaço de papel no ar.

Sobre o que falava mesmo? Esqueci-me das linhas, dos assuntos, por que devemos escrever um texto inteiro sobre só uma coisa? Fico transtornada ao saber que não podemos conectar as frases e os sentidos, entrelaçar tudo que a nós faz sentido. Para mim tudo se liga, todas as nossas sensações e por possuir pensamentos assim, me chamam de louca, de absurda. Sou uma mulher que nunca vai desistir do amor, que sempre irá amar e que sempre e eternamente será apaixonada pela maravilha da vida.

Sinceramente, é estranho conhecer coisas e sentimentos que fingíamos, fortemente, não existir, assim com faço agora.

Me dedico à esse instante para dizer que sou realmente confusa, não saberia escolher entre a direita ou a esquerda, desde que eu sinta as benditas borboletas eu estou voando para qualquer lado, mas não sei o que acontece, fica parecendo que luto contra essas borboletas que sempre me mandam pro mesmo lado – estou evitando o destino.

2 de agosto de 2009

So Long and Thanks for All the Fishes

Meu caros Amigos, 
Soubessem vocês o quão difícil é olhar para as coisas pensando que não irei vê-las durante um bom tempo. Me despedir de cada centímetro de terra que cultivei pacientemente ao longo dos anos, cada sorriso que, maravilhada, desenhei em meus olhos sem nunca cansar.
É mais do que claro minha ida, um pedaço dói e quebra, outro tenta, de olhos vendados, seguir em frente e tentar alcançar o sonho. Não sou corajosa, não sou uma aventureira, choro mais do que aprecio e, cada dia mais, a idéia de ir bate em minha cabeça e não há mais como fugir.
Soubessem vocês o quanto mata olhar seus sorrisos e desejar, com uma força absurda, matar a todos e guardar os belos risos só pra mim em uma caixa enfeitada de memórias. E assim, vou deixando na mão de cada um, um pedaço míudo do nad que sou eu, vou colocando em caixinhas perto do coração , as flores que cultivei com tanto amor e reguei com cada alegria e tristeza que vivemos em tempos ininterruptos. Caros amigos, irmãos, amores, se puxarem a fita que repousa nessa caixa-sem-valor-algum tomem muito cuidado , pois as lembranças viram borboletas sem destino, que perduram, sem poder contornar, somente um dia. Um dia para poder valer todos os dias de nossas vidas; não é fácil.
Agora quero me tornar borboleta nos olhos de cada um, sem drama nem receio - somos felizes.

12 de junho de 2009

Polifonia

Já faz um tempo em que mudei as cores das coisas, procurando por novas saídas e novos recursos. Fazia muito tempo em que não escrevia, em que não conversava comigo mesma, venho tentando me ocupar com coisas que mantêm a persistência dos pensamentos indesejáveis, mas eu me acostumo.
Canto, corro, estudo, como, rio e choro...Espero o vento levar todas as agonias desnecessárias. Mas ele nunca leva. e assim a gente fica, brincando nas ondas das velhas memórias, aquelas com cheiro de brechó. e insistimos nelas, e as negamos, produzindo um turbilhão de falsos pensamentos, de falsas preocupações, de situações já vividas, de dores já sofridas e repetimos o falso passado tentando, apressadamente, desenha-lo no presente e projeta-lo no futuro, sempre em vão.
Às vezes começa a parecer que nos agrada esse jogo. Pode parecer besteira, mas vestimos a carapuça e vendamos nossos olhos para fingir que não sabemos de nada, para pretender ser algo diferente do que nós mesmos já sabemos que somos. É muito mais fácil viver no passado repetidamente, infinitas vezes, por que já é conhecido....Mas o passado está morto. É preciso matá-lo constantemente e permitir que ele continue no lugar em que está. 

Começamos, aos poucos, a aprender a seguir em frente, mesmo que seja gritando os nossos pulmões para fora e, ao passar do tempo, vamos descobrindo como é tomar nossas próprias escolhas, por nós mesmos, nem que sejam péssimas escolhas.
Não é fácil atribuir uma cor própria para as coisas, não é fácil dar os nomes certos para elas, mas lenta e vagarosamente vamos relembrando as letras e os tons e misturando eles da forma que lhes pertence e criando a música. 

- quando as cores e as letras se misturam, elas dão vida à beleza inigualável do som.-

Já faz algum tempo em que eu quebrei meus próprios espelhos e tentei atribuir a mim mesma um novo rosto. O tempo passou, os cacos foram varridos, outros traços desenhados, mas ainda sou eu e os medos ainda continuam aqui e os amores.... Ah, os amores! Estes, somente estes, eu sei que continuaram, mesmo matando o passado e deixando-o ir, eu escolhi guardar um caco de vidro em meu bolso, há algumas ocasiões em que ele corta minha pele e a dor é quase insuportável, mas existem outras, tão raras outras vezes, em que o Sol e a Lua se iluminam em sua superfície fragilizada e essa luz, essa cor, esse som, me fazem não precisar de mais nada.

Há um certa completude nos gestos atrapalhados, nos olhares afobados, na voz desafinada...no som desatinado.

24 de abril de 2009

Pour petit enfant

Passei a não reconhecer mais meus contornos e minha pele. Foi como se todos os cheiros mudassem e o sangue não fosse mais o mesmo, já não havia mais nada de mim em mim mesma.
E por dias esperei que estendessem a mão e me tirassem daquele lugar, e por muitos dias anciei por uma proteção já conhecida, por cheiros reconheciveis, por lembranças minhas.
Passei a lembrar da voz do momento, e começei a esquecer todos os segundos que me fizeram a pessoa mais feliz do mundo. Há tempos meus olhos não inchavam por falta de sono, tinha esquecido o que era seu estômago se fechar para você mesmo. E as lágrimas continuaram a insistir e em algum pedaço de mim elas continuam a cochichar no canto de meus olhos.

Sou sei mais quem sou, não acredito em mais nada. Não anceio por ninguém.
E mesmo assim, tão pequena e impercebível, eu ainda tento...tento com todas as forças amar e sorrir.
...e só espero pela mão daquele que sempre me abraçou e tirou todos os medos de dentro de mim.

30 de março de 2009

véspera do nunca-mais

Por você, eu faço tudo que estiver em meu alcançe
por meu amor, te deixo livre
por meu ódio, quero te prender ao meu corpo.
sem você parece que os minutos não vivem
ao lado da solidão, pareço não respirar.
grito por necessidade de teu calor
-de teu apego-
e em cada grito, sinto a vida se desenhar
-em mim-
em cada beijo, sinto o mundo se refazer em um segundo.

por você eu faço tudo
pelo meu amor, quero teu bem
pelo meu ódio, preciso viver
ao teu lado
na tua boca
afogada no teu corpo

.....por meu amor, faço tudo.

27 de março de 2009

Como uma continuação, eu preciso que alguém me diga onde estou ou para onde quero ir. E sei que, quando podem, me estendem a mão e todos os caminhos dão em caminho nenhum.
A gente sempre soube como ia ser e apostavamos causas alheias, sem antes apostar a nossa; e diziamos coisas desconexas e escrevo coisas non-sense, onde até a loucura e a respiração se confundem. Mesmo com minha segurança presa em círculos de fumaça, eu acho que as linhas nunca vão se acabar e nesso meio milésimo de segundo em que atravesso o tempo, fico mais confusa e os dois nem imaginam que jogo de cartas é esse.
Dessa forma mesmo, nesse desenho incompreensível, eu me entrego ao desejo de vozes e beijos e me possuo pela sensualidade da via. Me ponho em cinco pontas de um esfera e faço da minha vida papel principal.
Sempre sei todas as regras.
Véspera dos meu dezesseis.

Lee Godoy
-18/03/2007-

18 de março de 2009

Estou começando a me entediar comigo mesma. Devia mudar meus tópicos, pensamentos e delirios, mas descobri que não consigo.
Estou me irritando com a transitoriedade de meus sentimentos, a confusão em que minha cabeça me coloca. Me sinto pura e profundamente sozinha.

É estranho pensar nisso...Como estar sozinha? Queria poder estar junto de todos eles, poder rir, tomar uma cerveja, cantar na direção do que não se vê, do que não se entende. Tentem compreender, eu preciso de atenção. Quase me sinto abandonada, largada, desamparada.
Estou perto de querer abrir a janela e me jogar lá de cima, mas eu sou muito covarde pra isso e a janela é muito alta e não consigo subir.

Por favor, alguém abra a porta e me tire dessa cadeira horrenda a qual me prendi, limpem meu cinzero, jogue meus cigarros no lixo, não me deixem mais beber. Alguém, pelo amor de Deus, dê um jeito nessa minha solidão, no meu estar-sozinha...Preciso que me achem.
Preciso que alguém segure minha mão e me prometa que não vai mais largá-la, de uma pessoa que me abrace como se o mundo fosse acabar no segundo seguinte, alguém que me proteja.
Eu sei que sou exigente.
Sei que não há mais o príncipe encantado
Há tempos já não acredito em amores perfeitos

Tento não idealizar mais meus romances.

16 de março de 2009

é realmente muito díficil costurar todos os dias dessa mesma forma.
esperar a linha passar perfeitamente pela estranha trama dos tecidos...de minha mente.
torcer para que cada retalho de palavra e suspiro se encaixe perfeitamente na colcha dos diálogos.

É realmente estranho pensar em você dessa forma, todos os dias, e ainda lembrar dele, e deles todos...Passou a ser equivocado pretender ser mais forte do que o tempo.
Quero comprar óculos que me deixem cega de vez e assim não vou mais precisar olhar nos seus olhos e lembrar que eu te amo demais, estou tentando curar meu coração de um possível ataque. quero que comprem vendas para por no pensamento, ou uma penera...para que eu só pense no que quiser, para filtrar assim as lembranças mais belas, mais puras e mais atordoantes que guardo dentro de mim.

Quero quebrar um vaso em sua cabeça toda vez que se esquece de mim....a cada segundo que me ignora... Quebro abraçar todas as suas dores e poder dar-te a mão para se levantar. Quero matar suas críticas, suas suposta superioridade...sua falta de noção.
Quero poder beijar cada canto de seu rosto e assistir você enquanto sonha. Quero ser sua.
Quero te odiar.

Odeio quando você não me enxerga, quando não olha nos meus olhos. Odeio quando seu abraço é superficial...odeio ter que cruzar meus braços pra me despedir. Odeio o que você faz comigo

Mas no meio de todo ódio desenfreado, toda dor partida como vidro. Eu me vejo te amando.

2 de março de 2009

Roda moinho manco
Secou os meu olhos
Por tanto
Já não preciso de lenço
e sim um convite dos lençois teus
sempre propenso
estou e sou
do mundo da lua
Fazer da tua pele a minha rua
Pintar na tua íris
em um orgasmo o arco-íris
já não choro
minto também quando
imploro
amanhã
Outras mentiras
Pra fingir ser perfeita
a vida.

Allecs Brasil

10 de fevereiro de 2009


- Alice, compre seus sonhos e espere que o coelho te engula em suas mais profundas alucinações.
Perdida por entre as flores e o sol apagado, Alice deita e sonha nos braços de um louco; dono dos chás malucos de tardes perdidas. Ela como uma boneca, espera a indicação do caminho certo enquanto um gato sorri e diz que não é preciso direções. É necessário correr.
Nesse conto encantado de perdição desvairada, Alice espera o tempo passar em sua insegurança, segura sua confidência nos sussuros alcinados do homem de seus sonhos; ela quer ser mulher.
-Criança, queria ser o cheiro dos seus cabelos de seda e daçar por entre o veludo de seu vestido. Dê-me tua mão.
Alice, de olhos fechados, caminha para um passo sem fim e sem volta, ma menina sem amor. Os olhos cor de céu se perdem no azul da noite e assim seu corpo se vai, fundido nos abraços de um chapeleiro morto.
O toque com gosto de melância e cereja vão se transformandoem licor por sua pele, saboreando cada medida do corpo de menina. Os fios de seda caem, Alice já não tem mais nome. Em seu corpo de fruta madura, Ele delira, já não se sabe mais o que é sangue e o que é poesia.
Alice se perde na cartola, delira no chá de pêssego quente. Seus olhos esboçam as estrelas de uma noite nublada. Já não há mais sonho.
Alice esta morta.

23 de janeiro de 2009

a.ma.dor

Do latim amatore

  1. aquele que ama.
  2. aquele que exerce alguma atividade sem interesse pecuniário.
  3. aquele que se dedica apenas por vontade ou curiosidade, não por profissão.
  4. aquele que é inexperiente.
-*
Até parece que tudo vai se desfazendo.
Me mantenho com dúvidas que nunca tive antes e tento caminhar tateando o vazio e seguindo de olhos vendados, nunca soube onde a estrada vai. Cada linha, cada traço vai se tornando um desenho de mim mesma que às vezes tenho vontade de rasgar por não saber sê-lo.
O céu, antes só amigo, torna-se meu protetor, meu amante, meu sonho...me perco nas constelações inventadas e nos personagens criados - sou um conto de fadas escrito por minha insanidade.
A cabeça, cheia de inconstancias, gira numa cor que me faz delirar e não para nunca. Espero calmamente em minha cadeira o início do fim.
Sonho em ser vento, poesia, música e olhar. Sonho em ser devaneio de bailarina, de mar. Aguardo uma mão me pegar no meio da tempestade.
Parece que tudo vai perdendo seu tom, seu som e virando uma tormenta cheia de nada. Tudo vai se refazendo numa trama desconhecida de um futuro incerto que eu escrevi para mim mesma. Sou personagem de minha mente.
Sou artista perdida na minha arte, afogada em minha tinta, pisoteada pelas minhas piruetas.
Até tenho vontade de voar para bem longe de meu olhar, de minha tocaia, de minha eterna sensura.

Escrevo por linhas cruzadas e por palavras manchadas de suor e lágrima. Releio meus risos e minhas perdições. Sou somente uma amante do tempo perdido e das taças de vidro trincadas.
Arranho a janela e costuro meu caminhar. Não sei mais me fazer entender. Não sei mais como escrever.

Não reconheço mais minha letra ou a cor de meu cabelo. Descolori todas minhas paisagens, esqueci todos os roteiros de filmes românticos. Sou uma amadora.
Sou o que restou de mim há 10 anos atrás - consegue enteder?

17 de janeiro de 2009

E assim fico eu, ouvindo o cigarro queimar enquanto susas mãos, tão conhecidas, dançam interminavelmente. Como um êxtase. É dessa forma, só assim, que eu me perco em seus dedos e em seus olhos de menino que me fazem desejar me afogar em seu corpo.

Desse jeito, tão inocente, tão sem saber o que faz com meu corpo, que eu me perco e me apaixono e, no meio de tudo isso, me encontro em cada palavra sua, cada suspiro, cada riso de criança, cada som. E eu aqui, somente assistindo e me deixando ser vento e tormenta, com meu cigarro na mão.

Espero meus olhos se encontrarem com os seus, que brilham e eu não entendo o brilho e me sufoco nele, nadando feito criança no carnaval. Queria ser seu toque, sua alma, sua maluquice; queria que você soubesse de cada letra perdida no dicionário que me envolve e com seus movimentos - eu danço.

E assim estou, sempre perdida no seu cheiro e nas suas mãos que vem e me pegam de surpresa. Só assim que eu consigo sorrir amando, e é tanto amo que me transbordo e me esqueço.
Se assim perdermos nossos olhos, nossos dias e nossos segundos
Se numa flor adiacemos o nosso sossego e nossa paz
Seguro a mão daqueles que amo e saimos na passarela interminável de sonhos infinitos.
Aguardo o momento em que todas as incertezas se trasnformem em bolhas de sabão
Espero as palavras e assim sussuramos uma melodia sem nem porquê ou fim.
Conto nos dedos os segundos de um amor insano que só me faz esperar na grama.
Se de todas essas formas, não soubermos para onde ir

Abro os braços e envolvo todos os seus delirios.

9 de janeiro de 2009

Para estar aqui de novo.
Para abrir os olhos e ver o cheiro da manhã me estender uma flor.
Para entender melhor.

Me jogo do alto da ladeira das minhas agonias e espero o dia acabar
Queria ser mais flor, mais água, mais sua.
Escrevo para chegar perto de seu toque.
para conseguir ouvir os seus pensamentos perto de minhas letras.

Certa vez, pensei em sair pela janela
-feito estrela
e me esparramar pelos lençois da noite
beber de sua escuridão e me esconder atras do sorriso do gato.

Já houve aquele dia,
-estou certa de que eu estava lá

O dia em que a terra se perdeu por um segundo no seu vai e vem de menino,
na brincadeira de nunca-mais-pra-sempre -
E num leque você se foi navegando entre Vitórias e Avencas

sem nunca quebrar o talo.

Para viver esse dia de novo.
Movo poeira, canto meus sonhos, tento esquecer a poesia
Escrevo e decifro o dia que já-foi-pra-sempre
Mas estava certa
quando vi bem fundo nos olhos dele
era música.