23 de janeiro de 2009

a.ma.dor

Do latim amatore

  1. aquele que ama.
  2. aquele que exerce alguma atividade sem interesse pecuniário.
  3. aquele que se dedica apenas por vontade ou curiosidade, não por profissão.
  4. aquele que é inexperiente.
-*
Até parece que tudo vai se desfazendo.
Me mantenho com dúvidas que nunca tive antes e tento caminhar tateando o vazio e seguindo de olhos vendados, nunca soube onde a estrada vai. Cada linha, cada traço vai se tornando um desenho de mim mesma que às vezes tenho vontade de rasgar por não saber sê-lo.
O céu, antes só amigo, torna-se meu protetor, meu amante, meu sonho...me perco nas constelações inventadas e nos personagens criados - sou um conto de fadas escrito por minha insanidade.
A cabeça, cheia de inconstancias, gira numa cor que me faz delirar e não para nunca. Espero calmamente em minha cadeira o início do fim.
Sonho em ser vento, poesia, música e olhar. Sonho em ser devaneio de bailarina, de mar. Aguardo uma mão me pegar no meio da tempestade.
Parece que tudo vai perdendo seu tom, seu som e virando uma tormenta cheia de nada. Tudo vai se refazendo numa trama desconhecida de um futuro incerto que eu escrevi para mim mesma. Sou personagem de minha mente.
Sou artista perdida na minha arte, afogada em minha tinta, pisoteada pelas minhas piruetas.
Até tenho vontade de voar para bem longe de meu olhar, de minha tocaia, de minha eterna sensura.

Escrevo por linhas cruzadas e por palavras manchadas de suor e lágrima. Releio meus risos e minhas perdições. Sou somente uma amante do tempo perdido e das taças de vidro trincadas.
Arranho a janela e costuro meu caminhar. Não sei mais me fazer entender. Não sei mais como escrever.

Não reconheço mais minha letra ou a cor de meu cabelo. Descolori todas minhas paisagens, esqueci todos os roteiros de filmes românticos. Sou uma amadora.
Sou o que restou de mim há 10 anos atrás - consegue enteder?

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