4 de setembro de 2012

dots

Encaramos novamente aquele momento em que todas as suas certezas parecem mais incertas do que nunca.
Não saber o que quer ou o que não quer.
Não ter nenhuma pista de pra onde ir ou onde ficar.
Sempre aconselhamos aos outros a "confiarem no seu taco", "pense positivo", "vai dar tudo certo" e outras do gênero, mas e aí? Vai mesmo? E se o nosso taco não for o suficiente e se faltar culhões ou até mesmo uma ajudinha? Se se tudo estiver dando errado ou nada estiver acontecendo? Me diga, por favor, o que fazer então?
Antigamente achava que a resposta para todos os problemas era encher o coração de amor e seguir em frente, mas atualmente já não parece mais estar surtindo tanto efeito. Sim, o amor é lindo e sim, ele nos dá uma força a mais, mas ele não resolve problemas, de mais a mais só os aumenta, inclusive o amor não paga minhas contas, nem tem que acordar no mesmo horário para se arrastar ao trabalho de todo dia.
O amor é lindo, mas me falta. Eu e ele já não nos entendemos como antes.
E se a solidão me pegar de rasteira? O amor não cria barreiras pra se estar sozinho, ele não nos protege das aflições da vida.
É capaz de me infartar.
Mas ainda assim, mesmo não sendo nada do que poderia, ele ainda fica lá longe, feito lampião em estrada, sinalizando que por algum caminho estamos andando e que se continuarmos poderemos enxergar melhor os nossos entornos - até chegar lá.
Antes fazia do amor inspiração para os textos mais loucos, para os cantos mais surdos, para os desenhos mais intoxicantes. Hoje, o que acho no amor é um alento, uma canção para me por para dormir. Um intervalo nas preocupações.
Quantas preocupações.
E não é por falta de sofrimento. Não é por falta de tristeza ou desconforto.
Não. É por excesso de tudo.
O excesso de tudo me impede de criar e ir longe. O excesso de mim mesma me dificulta o levantar no amanhã.
Mesmo quando perdi todos os refugios, ainda encontrava uma saída: o amor e a comida.
Mas até isso me largou, as facas não conversam comigo, até mesmo pelo contrário, me xingam, me afastam, me repugnam, me empurram para bem longe delas. Estou guardada no armário. Não há calor na beira do fogão.
E nessa tristeza me afogo, longe do prazer, longe do sentir, longe do amor.
Me mudando e me transformando a cada minuto, dia, estação, como borboleta bipolar.
Buscando uma imagem qualquer para um ser qualquer.
E a eterna insatisfação.

Insatisfeita, sento à varanda a fumar meu cigarro, esperando que um vento gelado faça minha mente acordar,  esperando que todas os contornos ruins se congelem e deem margem para todas as coisas esquecidas.
Buscar tranquilidade nas plantas geladas e nas cores pastéis. Mas os olhos não enxergam nem fotografia.
Se cansam, capengam, ardem, outros que estão se aposentando de mim, fazendo suas malas e me mandando à merda.
Parece que ainda não aprendi a fazer um bom trabalho ao cuidar de mim.
Me distraio com o arredor, me esqueço, me apago no entorno apagado da noite paulistana.
Me apago na existência do próximo.

Por isso o amor não cria nada.
Me afogo no outrem.
Mergulho sem boia ou segurança e me esqueço de me criar.