16 de março de 2011

Fricções

Meus dias andam passando com uma notoriedade incrivel....
Preencho cada brecha existente de música e tento não esquecer de minhas origens
Tento lembrar de todos os meus nomes, cores, todos meus sons, meus sabores, meus cheiros. Tento lembrar de tudo aquilo que pertence somente a mim.
Esqueço, ou pelo menos tento esquecer, tudo aquilo que estabeleceram pra mim.
Já perceberam que às vezes alguns pensamentos que passam na sua cabeça não são seus, mas sim de pessoas que exercem em sua mente relevância inexplicavel.

Eu só posso ser eu mesma, mas pra tanto já existem tantas possibilidades....pra que perder seu tempo tentando ser outra pessoa?
Já não é fácil ser si mesmo, já não é fácil recriar-se, reinventar-se - somos párias dentro de nós mesmos.

A simplicidade das coisas se perde com uma facilidade mágica.
Tento, suplicantemente, viver de acordo com minhas próprias regras. Tento não me enganar - nunca disse nada sobre enganar os outros. -

Acredito que somos todos sobreviventes nessa grande maré.
Sobreviventes por que não é fácil ir na outra direção.
Por que cansa nadar tanto assim.
Sobreviventes por que a maré é tão atraente...
Por que ela permite que nosso corpo só vá, sem peso nem diferença...
Somos sobreviventes de nossos próprios corpos e vontades.

Sobrevivo, batalhando comigo mesma e tentando esculpir um corpo próximo à minha mente.

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