23 de fevereiro de 2011

Quem diria que um dia as coisas seriam desse jeito.
Eu, tão pequena, tão estabanada, tão apaixonada....eu tão eu...eles tão eles.
Um arrepio sempre a correr pela espinha, deixando o ar para trás, deixando as pernas afundarem no solo feito areia.
Não sentir-se mais sozinha num espaço de eterno vazio.

Tremer de medo, de paixão, de um tesão intransponível. Tremer de amar, de expor, de sofrer..Tremer de alegria
Tremer por tremer, por esquecer das pernas, da razão, das mãos, dos olhos, de si mesma - a ponto de, por uma fração de segundo, se transformar em outra.

Quem diria que nunca me esqueceria, quem diria que o tempo iria passar assim? Quem nunca disse isso?
Assim, só assim, passeamos para fora de nossas linhas, conhecemos outros países dentro de nós mesmos, nos arriscamos, caímos, falhamos....mas sempre criamos.

Criar amor.
Mesmo que seja amor sem vista ou volta, mesmo que seja de perfumaria, de vitrine, de sexo, de sonho, de música. Criar amores para a vida toda, o tempo todo.

Assim sendo, encerro meu eterno monólogo e desço deste palco que montei por longos 20 anos, prometendo sempre retornar. Já sei que serei uma eterna apaixonada, uma eterna amante, viverei sempre um eterno amor, cada vez diferente.
Mas não preciso mais ficar em pé num palco empoleirado em minha mente até sangrar os pés.
Faço da vida meu palco.

E sorrio.
Sorrio, pois a vida pode precisar sempre de um belo sorriso apaixonado.





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