1:54 da manhã;
Não há mais nada para fazer, a tv insiste em passar os mesmos programas de todo dia. Pego uma taça, enxo-a e acendo um cigarro como quem não quer nada.
Começo a escrever um monólogo de tristezas, alegrias, sorrisos, ganhos e perdas, me prendi aos monólogos de amor. Para quem não sabe o que escrever, nem como, penso que começei bem, relembro falas e gestos antigos, contos e estórias já esquecidas. A última vez que enfrentei as horas foi quando ainda caçava música e entova belas sonatas românticas, me lembro agora, que o mundo real não funciona assim.
Não há belas notas, souvenires, homens que falam e que se emocionam, amores perfeitos, eternos...etéreos. Quem sabe se dessemos uma chance a nós mesmos, quem sabe se pudessemos fazer as coisas diferentes...
O amor não é uma novela, não é sempre que no fim Ele sai correndo atrás Dela mesmo se tiver de cruzar o continente, não é sempre que Ela descobre o quanto esta apaixonada e Ele esta lá, esperando-A. Mas posso dizer, por experiência própria, que na maioria das vezes eles se separam, que na maioria das vezes Ele pode se cansar dos seus hábitos perfeccionistas ou da mudança de humor constante e Ela....Ela pode acabar se irritando, devido a mudança de humor constante, ou melhor, desregulamento hormonal, com a “mania” sexual Dele. Nem sempre eles acham os sapatinhos de cristal, pode ser que eles acabem tropeçando neles, caindo da escada e depois você se pergunta por que estão atrasados para o jantar, pode ser que seja melhor procurar no caderno de obituários no dia seguinte. E pode ter certeza que nem sempre elas vão olhar para Ele e achá-lo lindo, mesmo que babe, tenha presas e pêlos por toda a cara, por que, lógico, o amor não tem nada com a aparência externa, só com a interna – que por sinal, ninguém vê.
2:22 da manhã;
Reencho a taça, algo me diz que a noite vai ser longa. O cigarro acabou, não há nada aberto e nem ninguém na rua. A melhor saída é pegar um cobertor e começar a revirar minhas memórias, antes que eu exploda.
Descobri, há poucos minutos atrás, que não consigo para de amar, consequentemente, não paro de sofrer, me sinto velha e cansada e acho que a única solução é sentar no sofá de madrugada e ficar chorando enquanto se tortura tentando descobri por que ele terminou com você. Não entendo como para alguns num dia você ama e no outro não, o amor não é uma agenda onde você marca os dias possíveis para poder amar alguém, ou você ama ou você não ama. É muito simples no final. A gente ama enquanto não incomoda.
Isso, me incomoda profundamente. Eu não decido que, só por que tenho trabalho a fazer eu não vou amar, eu não escolho quando meu coração acelera e quando doí, eu não opto por quem eu amo. Mas eu posso decidir como agir.
Às vezes sento e fico me lembrando de algumas conversas com alguns namorados que tive, podia não ter dito certas coisas, pulado outras, encurtado, mudado as palavras, podia ter inventado outra coisa, mas preferi não. Teve um, que nem namorado chegou a ser, que foi o grande amor da minha vida – supõe-se que ainda seja –, lembro de todo o relacionamento e das vezes que ele disse me amar, por mais que seja claro que ele não lembre, lembro, inclusive, da última vez que conversamos de verdade. Inicio do ano, dia movimentado, nervosismo e uma sensação eterna de insegurança, eu finalmente descobri que amava loucamente; mas onde que está escrito que amor implica relacionamento, implica seriedade, eu estava louca, completamente perdida, mas foi por esse surto que eu finalmente fui capaz de ver aquele homem na minha frente abrir seu coração. Ele me disse coisas lindas, eu chorei. Ele me deu a mão e eu abracei. “Eu te amo”. O beijo de despedida, tudo estava ótimo do jeito que estava. Uma semana depois, nada; duas semanas, nada; três semanas eu o vejo, ele não parece nem me enxergar. Acabou, simples assim acabou e onde eu fiquei? No meio do nada, jogada, descartada, desprezada sem nem saber porque.Sem nem ouvir uma palavra e ela nem foi necessária. Acho que ai eu fiquei louca de verdade, me arrependi, puxei meus cabelos, pedi desculpas, escrevi cartas, mas sempre contei minhas palavras.
Não, isso não é importante, não é essencial, nunca conte as palavras, nunca conte nada. Conte seus segredos, seus desejos, suas vontades, conte quanto você deve para o banco, conte todas as suas histórias, não conte verdades, horas, palavras, sentimentos. Não regule a vontade, o sonhos, a libido. Não se dê nomes, já basta aqueles que nos dão.
Quero poder me dar ao luxo de comprar roupas, sapatos, bolsas, maquiagem, quero poder me dar o prazer de fazer nada de útil, de me satisfazer, de não me esconder nada.
3:00 da manhã;
Momento em branco.
Amar.
Poder.
Falar.
Não posso mais me enlouquecer por pouca coisa.
Ligo quando quero para falar o que bem entender.
Ouço quando preciso, elimino quando é saudável.
Ficou mais fácil ser eu mesma.
Ganho a permição para dar chances.
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